O estudo de Bachmann et al. (2024), publicado no Deutsches Ärzteblatt International, constitui uma das mais robustas análises populacionais atualmente disponíveis sobre disforia/perturbação da identidade de género em crianças, adolescentes e jovens adultos.
Baseado em dados do sistema nacional de seguros de saúde alemão, o estudo analisou cerca de 13,4 a 14 milhões de indivíduos por ano, entre 2013 e 2022, focando-se em jovens dos 5 aos 24 anos com diagnóstico CID-10 F64 (perturbações da identidade de género).
Perante a escala populacional e robustez metodológica deste estudo, ignorar os seus resultados na formulação legislativa poderá representar grave negligência científica e ética.
- 72,4% dos jovens diagnosticados apresentavam pelo menos uma perturbação psiquiátrica associada, incluindo depressão, ansiedade, PHDA, perturbações de personalidade e PTSD;
- A persistência global do diagnóstico ao fim de cinco anos foi de apenas cerca de 36,4%, ou seja, quase dois terços dos jovens (63,6%) já não apresentavam um diagnóstico de disforia de género ao fim de cinco anos;
Implicações políticas e clínicas:
Este estudo revela que estamos perante uma população altamente vulnerável, frequentemente marcada por sofrimento psicológico complexo e múltiplas comorbilidades, exigindo prudência clínica reforçada.
A baixa persistência diagnóstica e a elevada complexidade psiquiátrica levantam sérias reservas quanto à adoção de modelos automáticos ou acelerados de afirmação social e médica, sobretudo quando envolvem intervenções potencialmente irreversíveis em menores.
Conclusão:
Os dados alemães sugerem fortemente a necessidade de políticas públicas baseadas em avaliação multidisciplinar rigorosa, acompanhamento psicológico aprofundado e princípio da precaução, em vez de respostas clínicas simplificadas ou ideologicamente condicionadas.